Pergunte a qualquer mulher qual doença ela mais teme e a resposta quase sempre será câncer de mama. A conta, porém, não fecha assim. As doenças cardiovasculares matam mais mulheres no Brasil do que todos os tipos de câncer somados, e mesmo assim raramente aparecem como prioridade na consulta. Setembro é o mês de conscientização sobre essas doenças no país, instituído pela Lei 14.747, de dezembro de 2023, e o dia 29 é o Dia Mundial do Coração. Boa hora para falar de um assunto que costuma ficar de lado.
O tamanho real do problema
Segundo a Organização Mundial da Saúde, doenças do coração são a principal causa de morte no mundo. No Brasil são quase 400 mil mortes por ano, o equivalente a uma pessoa a cada 90 segundos, número apresentado na sessão da Câmara dos Deputados dedicada à campanha.
O Posicionamento sobre a Saúde Cardiovascular nas Mulheres, publicado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, coloca em números o que isso significa para o público feminino: a doença isquêmica do coração, aquela que leva ao infarto, responde por 12,03% das mortes de mulheres no país, e o AVC por outros 10,39%. Juntas, as doenças cardiovasculares representam cerca de um terço de todos os óbitos e mais que o dobro das mortes por todos os cânceres reunidos.
Por que a mulher demora mais para ser diagnosticada. Existe um viés antigo, dentro e fora dos consultórios, de que infarto é coisa de homem de meia-idade levando a mão ao peito. Quando a paciente chega relatando cansaço, enjoo e um aperto na boca do estômago, a hipótese que costuma vir primeiro é gastrite, estresse ou ansiedade. Esse atraso custa tempo, e em infarto tempo é músculo cardíaco perdido.
Os sinais que a gente aprende a ignorar
Vale corrigir um exagero que circula na internet: a dor no peito continua sendo o sintoma mais frequente de infarto também nas mulheres. O que muda é o acompanhamento dela. Com mais frequência do que nos homens, o quadro feminino traz junto:
- Cansaço intenso e fora do comum, do tipo que aparece em tarefas que antes eram tranquilas.
- Falta de ar sem esforço que justifique.
- Náusea, enjoo ou uma sensação parecida com má digestão.
- Suor frio, palidez e tontura.
- Desconforto na mandíbula, no pescoço, nas costas, nos ombros ou na parte alta da barriga.
Nenhum desses sintomas isolado significa infarto. O sinal de alerta é o conjunto, principalmente quando surge de forma nova, sem explicação e não passa. Nessa situação, a conduta é procurar emergência, não esperar para ver se melhora até segunda-feira.
Uma parte do risco começou lá atrás, na gravidez
Esse é o ponto que quase ninguém comenta. A história reprodutiva de uma mulher deixa pistas sobre o coração dela décadas depois. Segundo revisão publicada nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, quem teve pré-eclâmpsia apresenta risco de 3 a 6 vezes maior de desenvolver hipertensão crônica no futuro, cerca de 2 vezes maior de doença isquêmica do coração e de AVC e cerca de 4 vezes maior de insuficiência cardíaca.
Diabetes gestacional, hipertensão na gravidez e insuficiência ovariana prematura também aumentam o risco cardiovascular composto, na faixa de 1,5 a 1,9 vez. A síndrome dos ovários policísticos entra na mesma lista, por vir acompanhada de resistência à insulina e alterações metabólicas.
Ou seja: aquela pressão que subiu no oitavo mês, há quinze anos, não é história antiga. É informação clínica. Vale levar para a consulta.
A menopausa muda o jogo. A SBC registra aumento da prevalência de doença cardiovascular e da mortalidade por essa causa nas mulheres após a menopausa. A queda do estrogênio se soma a mudanças no colesterol, na pressão e na distribuição de gordura corporal. É por isso que a chegada do climatério é um bom momento para revisar pressão, glicemia, colesterol e peso, e não apenas tratar as ondas de calor.
O que fazer com essa informação, na prática
Prevenção cardiovascular não tem mistério, tem constância. Os pontos que mais rendem resultado:
- Conhecer os seus números. Pressão arterial, glicemia, colesterol total e frações. Colesterol alto não dá sintoma, só aparece em exame de sangue.
- Contar o histórico completo. Gestações complicadas, menopausa antes dos 40, ovário policístico, casos de infarto ou AVC precoce na família.
- Parar de fumar, incluindo o cigarro eletrônico. É a medida isolada de maior impacto para quem fuma.
- Movimento e comida de verdade. Menos ultraprocessado, mais fruta, verdura, legume e atividade física regular.
- Não normalizar sintoma novo. Falta de ar aos esforços, palpitação e cansaço desproporcional merecem investigação, não paciência.
Onde avaliar o seu coração em Petrópolis
Na Docctor Med Petrópolis você encontra cardiologia e clínica médica no mesmo lugar dos exames laboratoriais, o que encurta bastante o caminho entre a consulta e o resultado. A avaliação costuma começar simples: conversa sobre histórico, medida de pressão, exames de sangue e eletrocardiograma quando indicado, com encaminhamento para exames complementares conforme o risco de cada pessoa. Atendemos no Centro, na Rua do Imperador, 625, de segunda a sexta das 7h30 às 18h30 e aos sábados das 8h às 12h. Veja as nossas especialidades e a lista de exames disponíveis.
Setembro Vermelho é um bom lembrete
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Médica responsável técnica da Docctor Med Petrópolis.