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Odontologia

Gengiva sangrando ao escovar: o que a sua boca está tentando avisar

Dra. Carla Sabrina Peres Ferreira Agosto de 2026 4 min de leitura

Sangrar um pouquinho ao escovar virou tão comum que quase ninguém se assusta mais. É justamente aí que mora o problema. A Organização Mundial da Saúde estima que as formas graves de doença gengival passem de 1 bilhão de casos no mundo, e o sangramento costuma ser o primeiro aviso, aquele que aparece anos antes de qualquer dente começar a se mexer. A boa notícia é que, atendido cedo, esse recado tem volta completa.

Gengivite e periodontite parecem a mesma coisa, mas não são

A gengivite é uma inflamação restrita à gengiva, causada pela placa bacteriana que se acumula bem na linha onde o dente encontra o tecido. A gengiva fica avermelhada, um pouco inchada e sangra na escova ou no fio. É reversível: com limpeza profissional e higiene diária bem feita, o tecido volta ao normal em algumas semanas, sem deixar marca.

A periodontite é o capítulo seguinte. A inflamação passou da gengiva e atingiu o osso e as fibras que seguram o dente no lugar. O que se perde aí não volta sozinho. Os sinais mudam de caráter: o dente parece mais comprido porque a raiz ficou exposta, aparecem espaços novos entre os dentes, o mau hálito insiste e, mais adiante, vem a mobilidade.

O Departamento de Saúde Bucal da Sociedade Brasileira de Diabetes descreve a periodontite como uma condição cronicamente subdiagnosticada, e a explicação é simples: ela quase não dói durante a maior parte do percurso. Muita gente só descobre quando o dente amolece, num ponto em que as opções já são bem mais limitadas.

O tamanho do problema no Brasil. A Pesquisa Nacional de Saúde Bucal SB Brasil 2023, do Ministério da Saúde com coordenação técnico-científica da UFMG, examinou 40.720 pessoas em 430 cidades. Entre os adultos de 35 a 44 anos, 53,7% precisavam de algum tipo de prótese dentária. Entre as pessoas de 65 a 74 anos, 36,27% já haviam perdido todos os dentes naturais. O número melhorou bastante em relação a 2010, quando era 53,70%, mas segue alto. Cárie e inflamação de gengiva estão por trás da maior parte dessas perdas.

Os sinais que merecem uma consulta

A própria Sociedade Brasileira de Diabetes lista os sinais de alerta que valem para qualquer pessoa, com ou sem diabetes:

Marcou um ou dois itens? Ainda dá bastante tempo. Marcou vários? Aí a avaliação não deveria esperar a próxima limpeza anual.

A gengiva não vive isolada do resto do corpo

Essa é a parte que costuma surpreender. A OMS registra que o diabetes tem relação recíproca com o desenvolvimento e a progressão da doença periodontal, ou seja, uma piora a outra nos dois sentidos.

Do lado brasileiro, a Sociedade Brasileira de Diabetes é bem direta: em quem está fora da meta glicêmica, a periodontite é mais grave e avança mais rápido; ao mesmo tempo, ela contribui para elevar a glicemia e dificulta atingir a meta. Quem tem diabetes e periodontite apresenta risco aumentado de retinopatia, nefropatia e eventos cardiovasculares em comparação com quem tem diabetes sem periodontite. E há estudos em vários países mostrando queda da hemoglobina glicada no diabetes tipo 2 depois do tratamento periodontal.

Por isso a recomendação é que toda pessoa com diagnóstico de diabetes seja encaminhada para exame odontológico e periodontal completo logo no início do tratamento, e não só quando aparece uma dor.

Grávida pode e deve ir ao dentista. As alterações hormonais da gestação deixam a gengiva mais reativa à placa bacteriana, e um sangramento que antes não existia pode aparecer justamente nesse período. O Ministério da Saúde tem diretriz específica para o atendimento odontológico de gestantes na atenção primária, e o Portal de Boas Práticas do IFF/Fiocruz orienta os profissionais a não normalizar doença bucal na gravidez e a encaminhar para o pré-natal odontológico. Deixar para depois do parto é exatamente o oposto do recomendado.

O que realmente previne

Em casa

No consultório

Depois de endurecida, a placa vira cálculo (o tártaro), e aí nenhuma escova dá conta. A remoção profissional é o que interrompe o ciclo. Em quadros de gengivite, costuma bastar a limpeza somada ao ajuste da higiene em casa. Em periodontite, o tratamento é mais detalhado, com raspagem abaixo da gengiva, reavaliação depois de algumas semanas e manutenção em intervalos mais curtos, definidos conforme o risco de cada pessoa.

Avaliação de gengiva na Docctor Med Petrópolis

Na Docctor Med, a avaliação começa pelo exame clínico da gengiva e pela medição dos pontos de sangramento, que é o que separa uma gengivite simples de uma periodontite instalada. A partir daí montamos o plano: limpeza, raspagem, orientação de higiene e a frequência de manutenção que faz sentido para o seu caso. Atendemos no Centro de Petrópolis, de segunda a sexta das 7h30 às 18h30 e aos sábados das 8h às 12h.

A sua gengiva sangra e você já se acostumou?

Agende sua avaliação odontológica na Docctor Med Petrópolis. Quanto antes, mais simples é o tratamento.

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Dra. Carla Sabrina Peres Ferreira
CRO 40786 · Responsável Técnica

Cirurgiã-dentista responsável técnica da Docctor Med Petrópolis.

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