Se você faz o preventivo desde os vinte e poucos anos, provavelmente decorou a rotina: um exame por ano, depois um a cada três anos, sempre com o mesmo nome no pedido, Papanicolau. Essa rotina está mudando. Desde 2024 o SUS incorporou o teste molecular de DNA-HPV como novo método de rastreamento do câncer do colo do útero, e a implantação começou na prática em agosto de 2025. A meta do Ministério da Saúde é que o exame esteja disponível em toda a rede pública até dezembro de 2026, atendendo cerca de 7 milhões de mulheres por ano.
Por que trocar um exame que já funcionava
O Papanicolau salvou muita vida, mas ele olha para o efeito, não para a causa. O que a citologia enxerga são alterações que já apareceram nas células do colo do útero. O teste de DNA-HPV faz o caminho inverso: procura o vírus que provoca essas alterações, muito antes de a célula mudar de aparência.
Há também uma questão prática. A leitura do Papanicolau depende do olho humano no microscópio, com toda a subjetividade que isso carrega, e pode gerar tanto falso positivo quanto falso negativo. O teste molecular é automatizado. Quando dá negativo, a chance de a mulher não desenvolver lesão precursora nem câncer nos cinco anos seguintes é altíssima, e é justamente por isso que o intervalo entre um exame e outro pôde ser esticado.
O Papanicolau não vai para o lixo. Ele deixa de ser o exame de porta de entrada e passa a ser usado para confirmar e classificar os casos em que o teste de DNA-HPV dá positivo. Nas cidades onde o teste molecular ainda não chegou, o rastreamento continua sendo feito pela citologia, do jeito que sempre foi.
O que muda na prática para você
A coleta é praticamente igual, feita no consultório, com o mesmo espéculo e a mesma escovinha. A diferença está no que o laboratório faz com o material e no que acontece depois do resultado.
- Idade: o público-alvo no Brasil continua sendo mulheres de 25 a 64 anos. Alguns países começam aos 30, mas o Brasil optou por manter a faixa já consolidada aqui.
- Intervalo: com resultado negativo, o próximo exame é em até cinco anos. Na citologia, eram exames anuais até dois negativos e, depois, a cada três anos.
- Resultado positivo para HPV 16 ou 18: encaminhamento imediato para colposcopia. Esses dois tipos respondem por cerca de 70% dos casos de câncer do colo do útero.
- Positivo para outros tipos oncogênicos: a citologia é processada no mesmo material já coletado. Se houver alteração, vai para colposcopia. Se estiver normal, o teste é repetido em um ano, e não em cinco.
Positivo para HPV não é diagnóstico de câncer
Vale repetir isso com todas as letras, porque é o susto mais comum no consultório. O HPV é a infecção sexualmente transmissível mais frequente do mundo e a maioria das infecções é eliminada pelo próprio organismo, sem deixar sequela. Um teste positivo significa que o vírus está presente e que aquela mulher precisa de acompanhamento mais de perto, nada além disso. O câncer do colo do útero, quando acontece, leva anos para se formar, e esse é exatamente o intervalo que o rastreamento aproveita.
Os números que explicam a pressa
A Estimativa 2026 do INCA projeta 19.310 novos casos de câncer do colo do útero por ano no Brasil entre 2026 e 2028, o que coloca a doença como o terceiro tumor mais incidente entre as mulheres brasileiras. No Sudeste, região onde estamos, o risco estimado é de 14,06 casos a cada 100 mil mulheres. É um câncer com causa conhecida, com vacina, com exame de rastreio e com tratamento, e mesmo assim ainda mata milhares de brasileiras todo ano. A conta não fecha por um motivo só: mulher que não faz o exame.
Vacina e exame são coisas diferentes, e as duas importam
A vacina contra o HPV está no SUS desde 2014 e hoje é aplicada em dose única para meninas e meninos de 9 a 14 anos. Ela também é gratuita, em esquemas específicos, para grupos prioritários de 9 a 45 anos, como pessoas vivendo com HIV, transplantados, pacientes oncológicos, vítimas de violência sexual e usuários de PrEP. Para mulheres de 20 a 45 anos fora desses grupos, a vacina não está incorporada ao SUS e só é encontrada na rede privada, em três doses, com a indicação decidida caso a caso com o médico.
Só que tomar a vacina não dispensa o preventivo. A vacinação protege contra os tipos mais perigosos, não contra todos, e boa parte das mulheres adultas de hoje não foi vacinada na adolescência. O Brasil assumiu junto à Organização Mundial da Saúde metas para 2030 que combinam as duas frentes: vacinar 90% das meninas até os 15 anos, rastrear 70% das mulheres com teste molecular e tratar 90% dos casos identificados.
A pergunta certa para levar à consulta é simples: "quando foi meu último preventivo e qual exame eu devo fazer agora?". Dependendo de onde você mora e de onde faz acompanhamento, a resposta pode ser o teste de DNA-HPV ou ainda o Papanicolau. O que não pode é ficar sem nenhum dos dois.
Ginecologia na Docctor Med Petrópolis
Na Docctor Med, a consulta ginecológica inclui a avaliação do seu histórico de exames preventivos, a orientação sobre qual rastreamento é o indicado para a sua idade e a coleta feita no próprio consultório. Atendemos no Centro de Petrópolis, de segunda a sexta das 7h30 às 18h30 e aos sábados das 8h às 12h.
Seu preventivo está em dia?
Agende sua consulta de ginecologia na Docctor Med Petrópolis e coloque o rastreamento em dia com quem acompanha as novas diretrizes.
Médica responsável técnica da Docctor Med Petrópolis.