Julho é o mês em que o Brasil todo fala de um assunto que passa despercebido no resto do ano: as hepatites virais. O nome oficial é Julho Amarelo, uma campanha nacional criada pela Lei nº 13.802/2019 para lembrar algo simples e sério ao mesmo tempo, que dá para prevenir, testar e, em muitos casos, tratar essas doenças de graça pelo SUS. O problema é que quase ninguém procura o teste por conta própria, porque os sintomas costumam demorar anos para aparecer.
Duas doenças, um peso enorme na saúde pública
Entre 2000 e 2024, o Brasil registrou 826.292 casos de hepatites virais, segundo dados do Ministério da Saúde. A hepatite C responde por 41,5% desses casos e a hepatite B por 36,6%, juntas somam quase 80% de tudo o que foi notificado no período. O Brasil assumiu, junto com a Organização Mundial da Saúde, a meta de eliminar as hepatites B e C como problema de saúde pública até 2030. Para chegar lá, o primeiro passo é o mais simples de todos, que é descobrir quem tem o vírus e ainda não sabe.
A doença que não avisa
A hepatite B é conhecida como "doença silenciosa" porque, na fase inicial, raramente apresenta sintomas. Muitas pessoas só descobrem que têm o vírus décadas depois da infecção, quando já existe algum dano no fígado. Quando os sinais aparecem, costumam ser cansaço, tontura, enjoo, vômitos, febre, dor abdominal, urina escura, fezes claras e a pele ou os olhos amarelados, a icterícia que dá nome popular à doença.
Sem tratamento, a hepatite B crônica pode evoluir para cirrose, insuficiência hepática e câncer de fígado. É exatamente por isso que esperar aparecer sintoma não é uma estratégia segura.
Não é preciso ter sintoma para pedir o teste. O exame de triagem, chamado HBsAg, está disponível gratuitamente no SUS, em teste rápido ou laboratorial, e qualquer pessoa pode solicitar espontaneamente numa unidade básica de saúde.
Como o vírus se transmite
A hepatite B se transmite por relação sexual sem preservativo, contato com sangue contaminado e compartilhamento de objetos que furam ou cortam, como lâminas de barbear e depilar, alicates de manicure e escovas de dente. Tatuagem e piercing feitos sem os cuidados de biossegurança adequados também são via de risco. Existe ainda a transmissão da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto, chamada de transmissão vertical.
Gestação: o teste que protege o bebê
Toda gestante deve investigar hepatite B a partir do primeiro trimestre de pré-natal. Quando o resultado é não reagente e não há histórico de vacinação, a recomendação é vacinar durante a gestação. Se o teste vier reagente, a equipe de saúde avalia a carga viral e, dependendo do caso, indica o uso de um medicamento antiviral a partir do terceiro trimestre. Ao nascer, o bebê exposto recebe a vacina e uma imunoglobulina específica, preferencialmente nas primeiras 24 horas de vida. Feitas em conjunto, essas medidas evitam a transmissão perinatal em mais de 90% dos casos.
A vacina está disponível para todo mundo
A principal forma de prevenção contra a hepatite B é a vacina, oferecida de graça pelo SUS para qualquer idade, mesmo para quem nunca foi vacinado. Crianças recebem quatro doses, ao nascer e aos 2, 4 e 6 meses, dentro da vacina pentavalente. Já para adultos, o esquema padrão é de três doses. A eficácia da vacina fica em torno de 95% na prevenção da infecção e de suas complicações mais graves.
E a hepatite C, tem cura?
Aqui a notícia é ainda melhor. A hepatite C não tem vacina, mas tem cura em mais de 95% dos casos tratados. Desde que passou a contar com os antivirais de ação direta, oferecidos gratuitamente pelo SUS, o tratamento passou a durar entre 8 e 12 semanas, em comprimidos, com efeitos colaterais mínimos. A transmissão acontece principalmente por contato com sangue contaminado, e como não existe vacina, o teste segue sendo a única forma de saber se o tratamento é necessário.
Vacina para quem ainda não tem o vírus, teste para quem quer saber, tratamento gratuito para quem precisa. As três frentes existem e estão disponíveis no SUS. O que falta, na maior parte dos casos, é a decisão de procurar.
Cuidado preventivo na Docctor Med Petrópolis
Na Docctor Med, o check-up e o acompanhamento clínico incluem a investigação de fatores de risco e a orientação sobre vacinação em dia, hepatite B inclusive. Atendemos no Centro de Petrópolis, de segunda a sexta das 7h30 às 18h30 e aos sábados das 8h às 12h.
Prevenção também é sobre o que não se vê
Agende sua consulta na Docctor Med Petrópolis e coloque o check-up e a carteira de vacinação em dia.
Médica responsável técnica da Docctor Med Petrópolis.